QUE DIREMOS, POIS, A VISTA DESTAS COISAS?

mulher

Dias desses, organizava minha casa e com a televisão ligada escutava as discussões de um programa  que diariamente discorre sobre questões polêmicas. Escutei, sem muito interesse, a voz doce de uma jovem que relatava um acontecimento de sua vida. Parecia comum, até que ouvi a palavra abuso, que ativou literalmente minha memória…

Com o rodo na mão,  parei para ouvi-la, no entanto, havia perdido parte do testemunho, que me deixou perplexa. A garota, muito tímida e com voz embargada, narrava com uma calma apavorante os momentos de terror que vivera durante a adolescência. Não mencionou  detalhes,  mas deixou claro que foi estuprada por seu padrasto. O clamor dos olhos, o choro copioso foi suficiente para descrever tamanha violência. .

O relato dela consistiu em descrever partes da conversa que teve com o amigo de faculdade, que  percebeu o grito de socorro dela, pelo tom de voz e expressão das palavras. A sensibilidade do amigo músico foi determinante para dar uma virada na página da vida da moça.  Ela conseguiu revelar ao colega a violência sofrida desde os treze anos. O garoto não conteve as lágrimas. Eu também não. A plateia toda estava sensibilizada com a história. Ela e a mãe  foram vítimas de um monstro sem compaixão, por muitos anos.

A garota está viva e tem sonhos, porém  com buracos na alma que jamais serão tapados. Terá que aprender a viver com as sequelas, com o medo,  insegurança,  desconfiança, além da indiferença da sociedade em relação  a  violência sexual, que se tornou comum.

Na mesma semana ouvi a reportagem da garota que era continuamente estuprada pelo pai (isso em minha cidade). Além desta, tive a infelicidade de saber da mulher que ao sair do trabalho foi rendida, assaltada, levada para um matagal para ser estuprada pelo assaltante; pasmem! Teve que levar o cão satisfeito para casa, que certamente, dorme tranquilo. Meu Deus!

A infelicidade é por não ter voz.

Elas não tem voz! Afinal de contas, a da sociedade é: “mas ela não deveria”… “homem não aguenta”… “a roupa dela”… etc. Quantas responsabilidades, quantas culpas são imputadas às mulheres! Corpos frágeis? mas necessitam, sim, de proteção! Carecem sim de respeito! Mais ainda, do amor do próximo, sobretudo, pela representatividade e papel social que desempenham . No entanto,  há quem se importe?

Se importarão, todavia, quando forem violadas as filhas, as esposas, sem ter quem as socorra…

 

 

 

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O conto a seguir foi escrito em 2010 e é baseado numa das aventuras vividas na juventude. O contexto desta história remete ao tempo em que,  quinzenalmente, íamos, uma tia e eu,  ao cemitério lavar o túmulo de minha mãe.   Espero que gostem.

Credo em cruz!

cachorro tumulo

Domingo para muitos é dia de descanso, mas para Amelinha, era um pesadelo. Ela trabalhava duro aos domingos com tarefas muito distintas que causava vergonha para uma menina de sua idade. Todavia, eram determinações de sua avó, portanto,  não ousava aborrecê-la.  No quarto resmungava baixinho temendo repreensões.

A  garota era do tipo débil. Tinha os cabelos lisos e longos que ficavam presos em um enorme coque. A beleza escondia com uma aparência senhoril e desleixada.

 

Poucas eram as amigas e adorava estar com elas. Seu dia de relax deveria ser o domingo, pois durante a semana estudava e cuidava dos afazeres domésticos, que consumia todo seu tempo.
Vivia com dona Joana desde a morte da mãe. A senhorinha tinha lá seus setenta anos, e era do tipo débil, aparência, visivelmente sofrida, mas forte e de semblante duro. A pele já bastante desgastada e escurecida revelava a “sorte” proveniente do tempo do roçado; do trabalho árduo que realizava debaixo de um sol escaldante, na terrinha tão querida, onde sua família se instalou há mais de um século. Às vezes dizia:
— “Num arredo o pé daqui… nasci aqui i aqui vô morrê”… suspirava saudosa do tempo longínquo. Orgulhava-se de suas raízes. Lambia os beiços ao lembrar-se da comida da mãe. Como gostava dos ensopados de galinha caipira com arroz,  das frutas apanhadas no pé. Para ela, as comidas de hoje eram insípidas, as de outrora é que tinham sabor. A neta gostava de ouvi-la falar do tempo da fazenda; gostava de saber de suas raízes. Mas isso acontecia poucas vezes. A avó parecia um sargento. Era autoritária e muitíssimo disciplinada, talem de muito religiosa.
Dona Joana tinha uma fé interessante. Ah! Como devotava os três reis santos! Rezava alto para que todos a ouvissem. Em sua casa, deu aos santos uma morada especial; tinha um bocado deles, os quais viviam alumiados por velas. Não era de demonstrar afetos, o que devia ser efeito da criação dura que tivera, mas amava muito a neta. Na verdade, a velhinha era muito boa gente.
Tia Covarina, filha de dona Joana, tinha lá seus cinquenta anos. Uma solteirona que vivia de arranjos. Lia sorte, tirava o mal de simioto das crianças com sangue de galinha preta e leite de peito. Fazia benzição, entretanto, ganhava maiores trocados com a lavagem de túmulos. Ela sempre ia à casa da mãe. Aos domingos ia bem cedinho. Numa dessas manhãs, D. Joana, antes de a filha chegar, arrumou o material da limpeza e também preparou  o lanche da neta. Em seguida, após  passar o café bateu na porta do quarto de Amelinha e bradou:
— Acorda minina! Que por sua vez responde resmungando:
— Já tô indo vó!
— I vê si num demora, que sua tia tá quase chegano.
A moça estava acordada havia tempo, na verdade, nem dormiu direito, pensando no fatídico domingo. Só de pensar no que tinha que fazer, enraivecia. Desejava mesmo passear com as amigas. Queria ser “livre” como elas, mas a avó não lhe dava muitas liberdades. Então, sem a esperança de um domingo diferente vestiu-se e enrolou com muita habilidade os longos cabelos. Logo apareceu tia Covarina. Ao ver a tia, suspirou deprimida e fez cara de velório. Após o desjejum saíram para o trabalho lúgubre. O percurso, a menina conhecia como ninguém, o grande desafio era esperar pela demora do ônibus que para sua surpresa, logo chegou. Seguiram, pois.
Ao chegarem ao portão, Amelinha escutou os costumeiros gemidos. Mais ao longe, um grito de choro. Era um ambiente triste e carregado de dor. Aquele cenário lhe trazia tristes lembranças. O odor daquele lugar lhe atiçou a memória. Lembrou-se de sua mãe. A lembrança se dissipou quando a tia tocou-lhe nos ombros e disse:
—Vamo minina! Temo muita coisa pra fazê!
— Eu ainda tenho que “pescá umas frôzinha”, não tive dinheiro pra comprá essa semana.
A menina não suportava aquela situação, contudo, estar ali, era uma missão que a avó lhe impusera.
Ali, no antigo cemitério da cidade, numa ensolarada e bela manhã de domingo, estavam elas, com as mangas das camisas arregaçadas. O suor escorria pelas faces. A luz do sol ofuscava o olhar angustiado de Amelinha. Algumas quadras adiante, um defunto acabava de ser enterrado e os familiares do morto saiam, uns gemendo, outros chorando em alta voz. Ao fundo alguém exclamava:
—“Que injustiça!! o Alceu era um homem tão bom”…
Covarina e Amelinha com os aparatos de limpeza começaram a faxinar o túmulo da parenta. Lavaram, passaram cera. O limão era para dar o brilho nas argolas que ficaram reluzentes. Faltava o toque final. Então, dona Covarina, andou alguns metros e pegou noutro túmulo algumas flores, queria florir o túmulo da irmã, afinal de contas, estava em apertos financeiros. Deus sabia o quanto ela estava em apuros… Cria não ser pecado tomar algumas flores de empréstimo. —Isso não a descredibilizaria diante de Deus. D. Joana também não comprava flores, porque o que sobrava do seu ordenadinho investia em velas para os santos.
Algum tempo depois, chega Dona Covarina com um enorme buquê de flores variadas. Ela disse à sobrinha:
— Hoje peguei bastante, pois o cemitério tá vazio. Ela sempre fazia isso. A sobrinha ignorava, portanto. Ajoelharam-se para a reza que iniciou com a tia invocando:
— “Padre nosso que está no céu, santificado seja o vosso nomi; venha!!!”….De repente elas escutaram um barulho muito estranho. Covarina, pausa, mas concentra-se e segue com a prece:
— “A nós o vosso reino”…
O ruído vinha de um túmulo ao lado, e desta vez era tão forte que a tia perdeu o fio da meada, e misturou a ladainha: “CremDeus pai! salve rainha! virgem santíssima!” rezava sem se dar conta, tamanha era sua perturbação. Os pelos do braço se eriçaram. Mesmo experiente e conhecedora do ambiente, teve muito medo. Temia os espíritos.
Assustadoramente, as pedras-britas que adornavam o túmulo ruidoso, começaram a esvoaçar para os lados. Dona Covarina trêmula, com as pernas bambas, pegou rapidamente alguns objetos e gritou para sobrinha:
—Corre!! É alma penada! “Credo em cruz”!! “Credo em Cruz”!! “Jesus, Maria, José”!!
E correram aos gritos pelo cemitério. Alguns que estavam ali velando seus mortos ficaram espantados com a cena, ao verem duas mulheres correndo com vassoura, vela e rosas na mão. Não deu tempo de a tia deixar o buquê no túmulo.
O coveiro ao tomar conhecimento daquela gritaria foi ver o que aconteceu, e lá, bem no aconchego do sepulcro, onde supostamente estava a alma penada, havia um cão ouriçado cavando um buraco. Ele dava com as patas nas pedras que esvoaçavam.
Curiosamente naquele lugar, escondidinho, o cão enterrava seu apetitoso osso.

cao no cemiterio

SOBRE O FIM DE UMA VIDA, OUTRORA, VALOROSA.

 

Velhice-Time_by_Yasny_chan
Fonte da  imagem: http://www.antroposofy.com.br

Quando a mãe, ou pai já idoso vai para o descanso eterno é possível que os filhos, os familiares, já não os viam há muito tempo. No tempo de solidão, no sofrimento, pode ser que não os tenham visto. Na agonia, talvez não, mas os viram estáticos, imóveis, já com seus corpos mortos. Assim, provavelmente os viram todos.
Estranho…
A notícia da morte sempre soa como um desespero repentino, porém, e ao mesmo tempo,  é esperada. A dor da perda aflora de súbito,  todavia se dissipa paulatinamente.
No velório, observa-se aqueles que ansiavam pelo descanso do ente que já não apresentava mais perspectiva de vida. Sem objetivo, sem meta, sem sonho. Tal qual um carro velho que passa a apresentar defeitos em todos os mecanismos. Gasto, pelo tanto de uso, constantemente é levado a oficina, até que um dia para de funcionar. Estacionado, inútil, torna-se um fardo.
Assim,  encontra-se muitos anciãos, cuja vida de enfado, torna-se um peso para os familiares… Parece uma afirmação fria, quiçá dolorosa, entretanto, uma triste realidade. Naquele ambiente fúnebre,  vê-se a prima amiga inseparável da infância, que sumiu. Os tios que outrora não se via, porque o trabalho, a família consumia todo o tempo. É possível observar  uma gama de curiosos que estão entre os  que choram e os que riem, sim! Os que riem. Ouve-se ainda os cochichos de grupos familiares com seus  comentários  ácidos e sem nenhuma compaixão para o momento.
O velório, pelo que se sabe, existia para velar o morto. Ali estático, gelado,  não vê nada, não houve nada, mas aguarda passar o ritual,  rodeado de velas, flores e um bocadinho de pessoas. Estas, por sua vez, indagam: “É tempo demais para chorar” “Riremos do lado de fora”. “Contaremos causos, do lado de fora”. Assim, a noite passa com mais pressa.

Na sala lateral, observa-se os gemidos balbuciantes de uma mãe que pranteava a perda de seu bebê. Assim, num mesmo espaço e tempo, nota-se duas vidas ceifadas,  uma já no cumprimento dos anos;  a outra,  antes mesmo de completar o primeiro  ano de vida. Entrecruzam, portanto,  o  novo e o velho , o inicio e o fim, pela indesejada de todas as gentes. Oh Morte! até quando? Até quando roubarás os sonhos? Quando cessarás os sofrimentos?

Para os velhos, talvez, o sofrimento começa quando tomam ciência  de que suas coroas  já não são sejam mais seus cabelos brancos. Na atual conjuntura, a velhice já não é representativa de sabedoria, mas uma preocupação com as lutas vindouras,  como a solidão, o mau funcionamento dos órgãos dos sentidos, as enfermidades, as  noites que não se dormirá, isto é o cansaço da vida.  De outro lado, sofre-se por necessitar  depender  do outro. Este, por sua vez, lidará com as penúrias da “maior” idade, muitas vezes, por obrigação!!
Consequentemente, lamenta-se das festas e passeios que não se irá, dos amigos, das novelas, que não se verá. É certo, após esse sentimento vem à culpa das muitas ausências, das inúmeras impaciências, do abraço não dado, do conselho ignorado e do desejo não atendido. Certamente virá acompanhada das lembranças dos momentos bons que passaram. Das lutas, dos desafios, dos beijos, das saudades. A culpa virá, sobretudo, quando vier o peso dos anos que acomete a todos, afinal de contas, a vida é um ciclo. Não envelhecerá, portanto, aqueles que regressarem à pátria celestial antes do inverno da vida.

Vovó e a cobra que mamava…

pau a piqueOh! Que saudade das coisas que vovó dizia, dos causos da fazenda, de quando ainda era uma jovem senhora. Narrava, entretanto, sem muito entusiasmo. Acredito que deva ter sofrido bastante. Uma dessas estórias aconteceu na década de 40, em seu tempo de moçoila. Casada, contudo, vivia numa casa de pau a pique— uma mistura de madeira com barro, moradia comum da roça— Nesse tempo, já havia parido o filho mais velho. Vovô, seu João, saía à madrugadinha para o roçado enquanto ela se detinha a cuidar da cria e dos afazeres domésticos. Casou-se muito novinha e logo engravidou. Antes de vir ao mundo o filho sentiu desejos, destes comuns às mulheres grávidas, como comer doces e comidas às vezes inacessíveis em determinadas horas e ocasiões. O desejo dela pareceu-me muito peculiar: desejou apetitosa experimentar da sopa que o tio tomava com a barba mergulhada no prato. Pois bem, para não revirar o estomago, passemos ao causo.
Habitualmente, vovó cuidava da casa e de seu bebê, amamentava-o com prazer. Com o passar dos dias notou que o bichinho chorava bastante. Além do mais, emagrecia. Emagrecia a olhos vistos! Não tinha febre, mas dormia muito. A aparência do garoto assustava. Foi então que decidiu chamar a benzedeira daquela região que disse ser mau olhado e quebranto. A ordem da curandeira após o benzimento da criança era que vovó rezasse algumas ave-marias e pais-nossos e esperasse a melhora; que não veio. O menino estava à pele e osso, o que a preocupou muito. Num determinado dia, como de costume, vovô foi trabalhar bem cedinho e ao longo do dia sentiu dores, então, resolveu voltar para casa.
Chegou bem antes do horário habitual. Ao adentrar a casa percebeu que vovó dormia junto ao filho, mas a poucos passos dali notou o rastro de uma cobra, que sorrateiramente subia à parede. Tentou capturá-la, mas sem sucesso. Percebeu, aliviado, que o animal não havia machucado sua família. Todavia, desconfiado, estranhou aquela situação, porque não era comum haver cobras ali.
Noutro dia, foi trabalhar preocupado e resolveu novamente voltar mais cedo e quando chegou apavorou-se! Ficou branco ao ver a terrível cena: vovó dormindo e ao lado dela a mesma cobra doutro dia. Ela era enorme e estava mamando no seio da vovó enquanto que o rabo do bicho servia de chupeta para a criança.
Vovô, mesmo perplexo, ligeiro lançou mão da carabina, bradou alto para que a cobra se desprendesse de sua mulher. De arma em punho atirou na cabeça da animália. Vovó assustada, não sabia ao certo o que estava acontecendo. Ao ser indagada disse que ao deitar na cama com a criança viu a cobra na parede; teve medo, porém a encarou. Depois disso, não se lembrava de mais nada.
A vizinha ao saber do acontecido disse que vovó foi hipnotizada pela cobra, que sentiu o cheiro do leite, Por isso, a criança emagrecia, pois a cobra tomava do alimento que lhe pertencia…
Se isso aconteceu de fato, não sei, mas para vovó foi assim que tudo se fez.

Sobre Política…seria eu obrigado a votar?

voto-de-cabresto1O  texto a seguir  é   pertinente para o momento atual, de onda de  espetáculos políticos, que somos muitas vezes  impelidos a assistir. No duelo pelo protagonismo dos da direita e esquerda,  há os que conclamam de maneira até escandalosa a atenção de uma plateia que, boa parte dela, sequer sabe de que trata a peça.

SOU OBRIGADO A VOTAR… do celebre Rubem Alves
Era uma manhã luminosa e fresca. Pais, mães, crianças, namorados, velhos… todos tiveram a mesma idéia: o parque. E o parque se encheu de alegria. Era uma felicidade geral…
Mas, de repente, uma coisa estranha aconteceu, parecia um pesadelo, um cenário montado por Kafka. O parque se encheu de figuras bizarras, vindas não se sabe de onde; usavam máscaras, na maioria sorridentes, falavam todos ao mesmo tempo, gritavam, acusavam-se, ofendiam-se, montavam cenas de teatro, tentavam atrais um público, diziam todos as mesmas coisas, haviam decorado o mesmo script, certamente eram artistas de algum teatro.
Alguns, dentre aqueles que haviam ido ao parque, vendo frustradas suas esperanças de tranquilidade, procuravam silencio dentro de grutas. Inutilmente. Havia televisões e alto-falantes em todos os lugares. Não se conformando, foram se queixar aos guardas. Argumentaram que espetáculo bizarro, grotesco e barulhento como aquele não podia ser permitido. Os guardas não fizeram nada. Disseram que os artistas tinham permissão das autoridades.
Desesperados, resolveram voltar às suas casas. Mas os portões haviam sido fechados. E neles estava um aviso: “Os portões só serão abertos depois que todos aplaudirem e pagarem pelo espetáculo. Os que se recusarem a aplaudir e a pagar serão severamente punidos.”
Não é necessário explicar. É uma parábola da nossa situação política. Esforço-me para pensar com clareza.

Alves, Rubem. Conversas sobre política. Campinas, SP : 2002.

 

“Me refugio nesta (página) pura onde ainda nada existe”!

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Inicio este blog com o propósito de partilhar com os leitores alguns escritos como contos, historias, reflexões sobre questões da vida, palavras de fé esperança e amor. Também um espaço para compartilhar informações, ideias, indicação de livros, filmes e documentários. Para mim, registrar informações acerca de determinados acontecimentos, pessoais e sociais, tornou-se uma prática recorrente que começou lá na adolescência e funciona muitas vezes como uma espécie de purgação, isto é, uma purificação da alma quando se quer exprimir aquilo que muitas vezes não se consegue realizar falando.

Inauguro este post com uma reflexão de Higounet (1995 p. 9) que diz:

A escrita é mais que um instrumento. Mesmo emudecendo a palavra, ela não apenas a guarda, ela realiza o pensamento que até então permanece em estado de possibilidade. Os mais simples traços desenhados pelo homem em pedra ou papel  não são apenas um meio, eles também encerram e ressuscitam a todo momento o pensamento humano.

A escrita é assim, torna possível a materialização de um pensamento. Por meio dela se exprime a tristeza ou o contentamento. Colore o universo pela poesia.  Deus pela palavra disse:  Haja luz, e a palavra se fez dia…. Que por ela eu possa exprimi-la…